Viagem no Tempo
Paleogeografia do Mesozoico
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252–201 Ma Jurássico
201–145 Ma Cretáceo
145–66 Ma
Configuração Continental
Mollweide Paleographic Map of Earth, 250 Ma (Olenekian Age) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ambientes e Fauna
Triássico Inferior ~245 Ma
Há cerca de 245 milhões de anos, a Terra ainda se recuperava do maior evento de extinção em massa da história: a extinção Permo-Triássica, que eliminou aproximadamente 96% das espécies marinhas e 70% das terrestres. Todos os continentes formavam um único supercontinente chamado Pangeia, cercado por um oceano global denominado Panthalassa. O clima era extremamente quente e seco no interior continental, com variações sazonais brutais. As zonas polares eram desprovidas de gelo. A América do Sul e a África formavam a porção sul da Pangeia, chamada de Gondwana, ainda unidas, cobertas por solos áridos avermelhados e florestas de coníferas primitivas esparsas. A Antártida ocupava latitudes mais temperadas do que hoje, sem calota glacial. A Europa e a América do Norte compunham o norte, denominado Laurásia, separadas apenas por uma faixa marinha rasa. A Ásia estava fragmentada em blocos menores ainda em colisão. O nível do mar era elevado, inundando regiões costeiras. A vegetação era dominada por licófitas, fetos e coníferas primitivas que resistiram à extinção. Os primeiros arcossauros e temnospôndilos recolonizavam continentes desolados, abrindo o caminho para o surgimento dos dinossauros nas décadas geológicas seguintes.
Reconstituição do Ambiente
Predadores do Triássico Inferior mostrando a fauna que sobreviveu e se diversificou após a extinção Permo-Triássica (~252 Ma).
Nadine Bösch and Beat Scheffold (2013), CC BY 2.5
Configuração Continental
Mollweide Paleographic Map of Earth, 240 Ma (Ladinian Age) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ambientes e Fauna
Triássico Médio ~230 Ma
Há cerca de 230 milhões de anos, a Pangeia ainda permanecia unida, mas sinais iniciais de tensão tectônica já apontavam para futuras rupturas. O clima havia se moderado um pouco em relação ao Triássico Inferior, mas o interior continental ainda era dominado por desertos áridos e rios sazonais. A América do Sul, particularmente o que hoje é a Argentina, abrigava ecossistemas fundamentais documentados pela Formação Ischigualasto, onde viviam os primeiros dinossauros confirmados, como Eoraptor lunensis e Herrerasaurus ischigualastensis. Tratava-se de animais relativamente pequenos, vivendo em planícies aluviais sazonalmente secas. A África do Sul e o leste africano (então contínuos com a América do Sul) apresentavam paisagens similares, com arcossauros rincossauros e cinodontes dominando os ecossistemas terrestres. A Antártida estava a latitudes mais tropicais e abrigava florestas mais densas. A Europa era um arquipélago tropical banhado pelo Mar de Tétis, com recifes de corais primitivos. A América do Norte era dominada por extensas planícies vermelhas áridas. A Ásia central e oriental começava a se consolidar com a colisão de terranos contra o núcleo siberiano. O nível do mar era moderadamente alto, e mares epicontinentais rasos cobriam partes do que hoje é Europa e América do Norte.
Reconstituição do Ambiente
Fauna da Formação Ischigualasto (Argentina), berço dos primeiros dinossauros: Eoraptor, Herrerasaurus e contemporâneos, ~230 Ma.
Nobu Tamura, CC BY-SA 4.0
Configuração Continental
Mollweide Paleographic Map of Earth, 220 Ma (Norian Age) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ambientes e Fauna
Triássico Superior ~210 Ma
Há cerca de 210 milhões de anos, os dinossauros já haviam diversificado consideravelmente e colonizado todos os continentes da Pangeia. O supercontinente começava a mostrar as primeiras fissuras que anunciariam a abertura do Atlântico Norte no início do Jurássico. O clima era quente e sazonal, com monções potentes afetando largas faixas da Pangeia. A América do Sul abrigava uma variedade crescente de dinossauriformes, tanto saurísquios quanto ornitísquios primitivos. A região africana, em especial as bacias do atual Marrocos e África do Sul, registrava fauna similar com prosauropódeos e carnívoros primitivos. A Antártida, ainda em posição mais equatorial do que hoje, sustentava florestas densas com coníferas e fetos arborescentes. A Europa era um mosaico de ilhas tropicais e mares rasos, com fauna endêmica em algumas ilhas do arquipélago tetísico. A América do Norte do período Norian-Rhaetian (formações Chinle e Dockum) abrigava coelofísidas e primeiros herbívoros como Plateosaurus e Riojasaurus. A Ásia oriental permanecia relativamente isolada. O vulcanismo da Província Magmática da América Central e Atlântico (CAMP) estava prestes a começar, encerrando o Triássico com outra extinção em massa por volta de 201 Ma.
Reconstituição do Ambiente
Paisagem do Triássico Médio-Superior do sul do Brasil: Prestosuchus chiniquensis e Parvosuchus aurelioi disputam carcaça de dicinodon.
Matheus Fernandes / R. T. Müller et al., CC BY 4.0
Configuração Continental
Mollweide Paleographic Map of Earth, 190 Ma (Pliensbachian Age) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ambientes e Fauna
Jurássico Inferior ~190 Ma
Há cerca de 190 milhões de anos, a extinção do final do Triássico havia eliminado os principais concorrentes dos dinossauros, abrindo o caminho para sua dominância global. O vulcanismo da Província Magmática da América Central e Atlântico (CAMP) havia injetado enormes quantidades de CO2 na atmosfera, causando aquecimento global temporário. A Pangeia começava sua fragmentação: uma fenda inicial separava a América do Norte da América do Sul e da África, formando um mar interior estreito que evoluiria para o Atlântico Central. O clima era globalmente quente e úmido, mais homogêneo que no Triássico, sem calotas polares. A América do Sul e a África ainda estavam amplamente conectadas, com dinossauros como Dracovenator e os primeiros saurópodos do grupo Vulcanodon circulando pela região. A Antártida e a Austrália permaneciam unidas na porção sul de Gondwana, cobertas por florestas úmidas de coníferas e ginkgos. A América do Norte era parcialmente inundada por mares epicontinentais e sustentava densas florestas de fetos e coníferas. A Europa era um arquipélago de baixas latitudes, banhado por mares tropicais rasos. O grupo dos dinossauros se expandia rapidamente em todos os nichos ecológicos disponíveis.
Reconstituição do Ambiente
Ambiente terrestre do Jurássico Inferior (Pliensbachiano-Toarciano, ~185 Ma), com vegetação e fauna típicas do início do período Jurássico.
Lucas Attwell, CC BY-SA 3.0
Configuração Continental
Mollweide Paleographic Map of Earth, 170 Ma (Bajocian Age) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ambientes e Fauna
Jurássico Médio ~170 Ma
Há cerca de 170 milhões de anos, Gondwana e Laurásia se separavam definitivamente, com o oceano Atlântico Central em franca expansão. O Oceano Índico primitivo começava a se abrir entre a África, a Antártida e a Índia. O clima era uniformemente quente e úmido, com florestas densas cobrindo latitudes que hoje são desertos. Não havia gelo nos polos. A América do Sul continuava unida à África, mas uma fenda crescente ao longo do que seria o Atlântico Sul já separava as faunas de dinossauros nas duas massas de terra. Saurópodos gigantescos como os membros da família Cetiosauridae predominavam em ambos os continentes. A Antártida, então nas latitudes do Polo Sul mas ainda sem glaciação, sustentava florestas abertas com temperatura média anual positiva. A Ásia orientava-se em múltiplos blocos; a China em particular abrigava fauna de dinossauros notavelmente diversa, incluindo os primeiros ceratossauros e ornitópodos. A Europa era formada por ilhas rasas do Mar de Tétis, com endemismo significativo. A América do Norte começava a se separar da Europa pelo Atlântico Norte nascente. A vegetação era dominada por samambaias, cavalinhas, coníferas, cicadáceas e ginkgos, sem nenhuma planta com flor.
Reconstituição do Ambiente
Dinossauros da Formação Shaximiao (Jurássico Médio, China): Yangchuanosaurus, Mamenchisaurus, Tuojiangosaurus e Gigantspinosaurus.
ABelov2014, CC BY-SA 3.0
Configuração Continental
Mollweide Paleographic Map of Earth, 155 Ma (Oxfordian Age) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ambientes e Fauna
Jurássico Superior ~150 Ma
Há cerca de 150 milhões de anos, o Jurássico Superior foi uma das épocas de maior diversidade de dinossauros da história. Gondwana e Laurásia estavam separadas, mas corredores terrestres ocasionais ainda permitiam trocas faunísticas. O Atlântico Sul e o Central se expandiam rapidamente. O clima era quente e úmido, com alta umidade global e ausência total de gelo polar. Na América do Norte, a Formação Morrison abrigava fauna extraordinária: Allosaurus, Brachiosaurus, Diplodocus, Stegosaurus e Camarasaurus viviam em planícies inundadas sazonalmente por rios meandrantes. Na África Oriental, a Formação Tendaguru (atual Tanzânia) registrava fauna paralela e igualmente gigantesca, com Giraffatitan brancai e Kentrosaurus, sugerindo conexão terrestre ou dispersão recente. A América do Sul abrigava os primeiros titanossauros e carnotaurinos primitivos. A Europa era um arquipélago subtropical com dinossauros anões adaptados a ilhas: fauna bem documentada em Portugal, Inglaterra e Alemanha. A Ásia oriental desenvolvia fauna própria, com saurópodos e terópodes distintos. A Antártida e a Austrália permaneciam unidas em Gondwana meridional, com clima temperado úmido. As coníferas, cicadáceas e ginkgos dominavam a paisagem, sem flores.
Reconstituição do Ambiente
Jurássico Superior: Gargoyleosaurus (Formação Morrison) bebendo em uma poça, rodeado de equisetáceas, samambaias e coníferas.
Conty, CC BY-SA 4.0
Configuração Continental
Mollweide Paleographic Map of Earth, 120 Ma (Aptian Age) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ambientes e Fauna
Cretáceo Inferior ~130 Ma
Há cerca de 130 milhões de anos, o Cretáceo Inferior testemunhava a fragmentação progressiva de Gondwana e a ascensão de ecossistemas radicalmente novos. O evento mais transformador foi o surgimento das angiospermas, as plantas com flores, que começavam a colonizar ambientes perturbados e úmidos, embora ainda fossem minoritárias frente às coníferas e fetos. O Atlântico Sul estava se abrindo entre a América do Sul e a África, embora uma conexão terrestre ainda existisse no norte, permitindo trocas faunísticas. A África do Norte e a Europa meridional eram banhadas pelo Mar de Tétis. Na Europa, os faunos do Grupo Wealden (sul da Inglaterra, norte da França, Espanha) incluíam Iguanodon, Baryonyx e Polacanthus. A China oriental, então com clima subtropical úmido, produziu fauna excepcional com dinossauros emplumados: Microraptor, Sinornithosaurus e as primeiras aves verdadeiras no grupo Enantiornithes. A América do Norte abrigava titanossauros e espinosaurídeos em suas planícies pantanosas. A América do Sul e a África isolavam-se progressivamente, permitindo a evolução de linhagens endêmicas como os abelissaurídeos sul-americanos e os carcarodontossaurídeos africanos. A Antártida e a Austrália ainda estavam conectadas em Gondwana meridional.
Reconstituição do Ambiente
Par de Microraptor na floresta da Formação Yixian (Cretáceo Inferior, Liaoning, China, ~125 Ma), representando a biota de Jehol com seus dinossauros emplumados.
Durbed, CC BY-SA 3.0
Configuração Continental
Mollweide Paleographic Map of Earth, 105 Ma (Albian Age) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ambientes e Fauna
Cretáceo Médio ~100 Ma
Há cerca de 100 milhões de anos, o Cretáceo Médio era o ápice de uma estufa global sem precedentes nos últimos 250 milhões de anos. As temperaturas médias eram 8 a 10 graus Celsius acima das atuais, os polos eram árticos temperados sem gelo permanente e o nível do mar era 100 a 200 metros acima do atual, inundando vastas regiões continentais. Na América do Norte, o Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway) dividia o continente ao meio, criando dois subcontinentes: Laramidia a oeste e Apalacia a leste. Na América do Sul, o recém-formado Atlântico Sul ainda era estreito e raso, mas já isolava a fauna, favorecendo a explosão de titanossauros gigantescos como Argentinosaurus e carcarodontossaurídeos como Giganotosaurus. A África abrigava fauna diversa com espinosaurídeos (Spinosaurus) e abelissaurídeos em seus deltas tropicais. A Europa era um arquipélago subtropical. A Índia estava em deriva rápida para o norte, como uma grande ilha. A Ásia oriental desenvolveu fauna própria com tiranossauros primitivos e ornitópodos. A Antártida estava separada da Austrália e experimentava clima temperado quente sem glaciação. As angiospermas expandiam-se globalmente, diversificando rapidamente os ecossistemas terrestres com novas formas vegetais.
Reconstituição do Ambiente
Paleoecossistema da Formação Bahariya (Cenomaniano, Egito): Spinosaurus aegyptiacus com um dipnoi nas mandíbulas e abelissaurídeo em primeiro plano.
Andrew McAfee, CC BY 4.0
Configuração Continental
Late Cretaceous paleogeographic map — Wikimedia Commons, public domain.
Ambientes e Fauna
Cretáceo Superior ~70 Ma
Há cerca de 70 milhões de anos, os últimos grandes dinossauros não avianos viviam em um mundo de continentes progressivamente mais parecidos com os atuais, embora ainda dispostos de forma diferente. O Mar Interior do Oeste ainda dividia a América do Norte em Laramidia e Apalacia, abrigando faunas distintas: Laramidia tinha Tyrannosaurus rex, Triceratops, Edmontosaurus e Ankylosaurus; Apalacia tinha hadrosauropídeos e nodossaurídeos insulares. A América do Sul estava quase completamente isolada, com titanossauros como Dreadnoughtus e abelissaurídeos como Carnotaurus governando o continente. A África abrigava titanossauros e abelissaurídeos próprios, com influência crescente de fauna asiática por pontes ocasionais. A Índia continuava sua deriva para o norte, com fauna endêmica como Rajasaurus. A Ásia central e oriental era o centro de diversificação dos tiranossauros, oviraptorídeos e dromeossaurídeos. A Europa era um arquipélago com dinossauros anões como Magyarosaurus. A Antártida experimentava verões temperados com florestas de faias e coníferas. O clima global estava se resfriando gradualmente. Em 66 Ma, o impacto do asteroide Chicxulub no México extinguiria todos os dinossauros não avianos, encerrando 165 milhões de anos de dominância.
Reconstituição do Ambiente
Fauna da Formação Hell Creek (Maastrichtiano, ~66 Ma): Ankylosaurus, Tyrannosaurus, Quetzalcoatlus, Triceratops, Struthiomimus e Pachycephalosaurus.
Durbed, CC BY-SA 3.0