Extinção Ordoviciana-Siluriana
"A Grande Glaciação"
A Extinção Ordoviciana-Siluriana, há cerca de 443 milhões de anos, é a segunda maior extinção em massa do registro fóssil, eliminando aproximadamente 85% de todas as espécies marinhas conhecidas. Naquele momento, a vida complexa estava quase inteiramente confinada aos oceanos: não existiam ainda vertebrados em terra, e as plantas vasculares mal começavam a colonizar as margens dos continentes. O evento ocorreu em dois pulsos distintos. O primeiro, no final da Idade Katiana (~445 Ma), foi desencadeado pelo deslocamento do supercontinente Gondwana em direção ao Polo Sul, iniciando uma glaciação intensa que reduziu o nível do mar em até 100 metros e drenou os mares rasos tropicais onde a maioria dos organismos vivia. O segundo pulso, no início do Hirnanticiano (~443 Ma), resultou da deglaciação abrupta: o derretimento rápido das geleiras liberou nos oceanos águas frias, anóxicas e ricas em ácido sulfídrico, criando zonas mortas que se espalharam pelos fundos marinhos. A combinação desses dois mecanismos opostos, resfriamento seguido de aquecimento e anoxia, tornou o evento especialmente letal. Grupos inteiros como graptólitos, conodontes e numerosas linhagens de trilobitas e braquiópodes foram drasticamente reduzidos ou extintos. Os mares do Siluriano que emergiram dessa crise eram radicalmente diferentes: menos espécies, mas com grupos que sobreviveram prontos para diversificar rapidamente.
- Glaciação de Gondwana sobre o Polo Sul, iniciada ~445 Ma
- Queda do nível do mar em até 100 metros, destruindo habitats rasos tropicais
- Resfriamento global abrupto e colapso da produtividade oceânica
- Deglaciação rápida gerando anoxia e águas sulfídicas nas profundezas (~443 Ma)
- Expansão de zonas oceânicas sem oxigênio das profundezas para as plataformas rasas
Aproximadamente 70% dos gêneros de trilobitas, 60% dos gêneros de braquiópodes, virtualmente todos os graptólitos planctônicos, conodontes, equinodermos, nautiloides e comunidades recifais de esponjas calcárias e corais tabulados.
Linhagens de braquiópodes adaptadas a águas frias (fauna Hirnanticiana), moluscos bivalves, alguns graptólitos bentônicos, peixes primitivos sem mandíbula (agnatos) e algas verdes ancestrais das plantas terrestres.
A extinção remodelou completamente os mares do início do Siluriano. Braquiópodes sobreviventes diversificaram-se rapidamente, reconstruindo os recifes com novas arquiteturas de corais rugosos e estromatoporoides. Os primeiros peixes com mandíbulas (incluindo os ancestrais dos placodermos do Devoniano) aproveitaram o espaço ecológico liberado. A extinção eliminou os graptólitos planctônicos, que eram tão abundantes que seus fósseis servem hoje como marcadores estratigráficos para datação de rochas paleozoicas em todo o mundo.
Referência
Sheehan, P.M. (2001). The Late Ordovician mass extinction. Annual Review of Earth and Planetary Sciences, 29, 331–364. / Finnegan, S., et al. (2012). The magnitude and duration of Late Ordovician–Early Silurian glaciation. Science, 331, 903–906.