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Clima do Mesozoico

Por que havia dinossauros
na Antártida?

Em 1991, pesquisadores encontraram na Antártida os ossos de um dinossauro carnívoro de seis metros. A resposta para o que ele estava fazendo lá explica o planeta inteiro do Mesozoico.

Em 1991, pesquisadores encontraram na Antártida os ossos de um dinossauro carnívoro com uma crista óssea curiosa no crânio. Batizaram a criatura de Cryolophosaurus elliotti. Ela tinha cerca de seis metros de comprimento, vivia há 190 milhões de anos, e habitava uma região que hoje fica coberta de gelo o ano todo.

O motivo é simples: no Jurássico, o planeta era radicalmente mais quente do que hoje. O CO₂ na atmosfera estava entre 1.500 e 3.000 partes por milhão, contra aproximadamente 420 ppm hoje. Esse efeito estufa intenso mantinha os polos com temperaturas compatíveis com o sul da França atual, mesmo no inverno. Não havia calota polar permanente.

Havia outro fator geográfico: a Antártida ainda fazia parte de Gondwana, o supercontinente do hemisfério sul. Ela estava conectada à América do Sul e à Austrália por pontes de terra, o que permitia que populações de dinossauros migrassem entre continentes ao longo de milhões de anos.

O desafio real de viver no polo jurássico eram os meses de escuridão total no inverno, não o frio. Alguns dinossauros provavelmente migravam para latitudes menores no outono. Outros, como herbívoros de menor porte, podem ter ficado e sobrevivido com reservas de gordura, como muitos pássaros de alta latitude fazem hoje.

Comparação climática

CO₂ atmosférico hoje ~420 ppm
CO₂ no Jurássico médio ~2.000 ppm
Temperatura média global hoje ~15 °C
Temperatura média no Cretáceo ~26 °C
Nível do mar (vs. hoje) +200 m
Calotas polares permanentes Não existiam

Dinossauros polares conhecidos

Cryolophosaurus elliotti

Antártida, ~190 Ma. Carnívoro de 6 m com crista craniana única, o dinossauro antártico mais famoso.

Glacialisaurus hammeri

Antártida, ~190 Ma. Sauropodomorfo herbívoro encontrado na mesma formação que o Cryolophosaurus.

Leaellynasaura amicagraphica

Austrália, ~105 Ma. O continente ficava no polo sul no Cretáceo. Olhos grandes, possivelmente adaptados à escuridão polar.

Edmontosaurus annectens

Alaska, ~69 Ma. Hadrossaurídeo que vivia no círculo ártico e provavelmente migrava sazonalmente.

Por que o planeta estava tão quente?

🌋

Vulcanismo intenso

A fragmentação de Pangea ativou grandes províncias ígneas, episódios de vulcanismo em larga escala que duraram centenas de milhares a milhões de anos. Essas erupções liberaram CO₂ continuamente, e sem vegetação suficiente para absorver o excesso, ele se acumulou na atmosfera.

🌊

Oceanos rasos e quentes

O nível do mar era cerca de 200 metros mais alto do que hoje, cobrindo grandes porções dos continentes. Mais oceano raso significava mais evaporação, mais vapor d'água na atmosfera e mais retenção de calor.

🧊

Ausência de feedback de gelo

Hoje, as calotas polares refletem luz solar de volta ao espaço, resfriando o planeta. No Mesozoico, sem esse feedback de albedo, qualquer aumento de temperatura era amplificado. O sistema climático ficava travado no modo quente.