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Amargasaurus cazaui
Cretáceo Herbívoro

Amargasaurus cazaui

Amargasaurus cazaui

"Lagarto de La Amarga (em homenagem ao geólogo Luis Cazau)"

Período
Cretáceo · Barremiano-Aptiano
Viveu
129–122 Ma
Comprimento
até 10 m
Peso estimado
2.6 t
País de origem
Argentina
Descrito em
1991 por Leonardo Salgado e José Bonaparte

O Amargasaurus cazaui é um dos saurópodes mais reconhecíveis do Cretáceo Inferior, graças às duas fileiras paralelas de espinhos neurais extremamente alongados que percorrem seu pescoço e dorso. Descoberto em 1984 na Formação La Amarga, em Neuquén, Argentina, e descrito em 1991 por Leonardo Salgado e José Bonaparte, é um dos melhores esqueletos de saurópode do Cretáceo Inferior já encontrados. Com cerca de 9 a 10 metros de comprimento e aproximadamente 2,6 toneladas, era pequeno para um saurópode, mas seus espinhos cervicais, que atingiam até 60 cm de altura, tornavam-no inconfundível. Estudos recentes sugerem que esses espinhos sustentavam uma vela de pele, possivelmente utilizada para termorregulação ou exibição.

A Formação La Amarga é uma unidade geológica do Barremiano-Aptiano (~129-122 Ma) da Bacia de Neuquén, aflorando nas províncias argentinas de Neuquén, Río Negro e Mendoza. A maioria dos fósseis de vertebrados, incluindo Amargasaurus, provém do Membro Puesto Antigual, a parte mais antiga da formação, composto principalmente por arenitos depositados por rios entrelaçados em ambiente fluvial aluvial. O arroio La Amarga, localizado 70 km ao sul de Zapala, é o sítio de escavação do holótipo MACN-N 15, coletado em fevereiro de 1984.

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Habitat

O Amargasaurus viveu durante o Barremiano-Aptiano (~129-122 Ma) na região que hoje é a Patagônia argentina (Neuquén). A Formação La Amarga era dominada por sistemas fluviais com rios entrelaçados, pântanos e paleossóis desenvolvidos em clima semi-árido a subúmido. A fauna associada incluía outros saurópodes (Zapalasaurus, Amargatitanis), ceratossauros (Ligabueino), cocodrilimorfo Amargasuchus e o mamífero Vincelestes, indicando um ecossistema diversificado de florestas fluviais.

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Alimentação

Análises neuroanatômicas (Carabajal et al., 2014) e da musculatura craniocervical (Militello et al., 2026) indicam que Amargasaurus era um pastador de média altura. Com o focinho habitual a apenas 80 cm do solo e alcance máximo de 2,7 m, especializava-se em vegetação baixa a intermediária: samambaias, cicadáceas e coníferas de pequeno porte. Essa estratégia reduzia a competição com outros saurópodes da Formação La Amarga que pastavam em alturas distintas.

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Comportamento e sentidos

Não existem evidências diretas de comportamento gregário em Amargasaurus, mas a vela de pele cervical, sustentada pelos espinhos neurais, provavelmente desempenhava papel em reconhecimento intraespecífico, hierarquia social ou seleção de parceiros. A vascularização intensa dos espinhos (Cerda et al., 2022) sugere que a estrutura era metabolicamente ativa. Estudos histológicos indicam que o holótipo era um jovem adulto com pelo menos 10 anos, ainda crescendo quando morreu.

Fisiologia e crescimento

A histologia óssea de Amargasaurus (Windholz e Cerda, 2021) revela osso fibrolamellar altamente vascularizado com marcas cíclicas de crescimento (LAGs), compatível com metabolismo intermediário entre répteis e endotermos completos, com sazonalidade. O indivíduo holótipo crescia rapidamente nas fases iniciais e desacelerava progressivamente. Os espinhos neurais são ósseos com cortical fibrolamellar, indicando estruturas de crescimento rápido, típicas de vertebrados com altas demandas metabólicas.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Barremiano-Aptiano (~129–122 Ma), Amargasaurus cazaui habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 75%

O holótipo MACN-N 15 inclui crânio parcial (região temporal e neurocrânio), 13 vértebras cervicais, 9 dorsais, 5 sacrais e várias caudais articuladas, costelas, cintura escapular, ílio parcial e fragmentos dos membros. É um dos esqueletos de saurópode do Cretáceo Inferior mais completos já coletados na América do Sul.

Encontrado (12)
Inferido (3)
Esqueleto de dinossauro — sauropod
Gunnar Bivens CC BY 3.0

Estruturas encontradas

skullvertebraeribsscapulahumerusradiusulnapelvisfemurtibiafibulafoot

Estruturas inferidas

complete_skinsoft_tissueneck sail membrane

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1991

Un nuevo sauropodo dicraeosauridae, Amargasaurus cazaui gen. et sp. nov., de la Formación La Amarga, Neocomiano de la Provincia del Neuquén, Argentina

Salgado, L. e Bonaparte, J.F. · Ameghiniana

Paper fundacional que formalizou o gênero e a espécie Amargasaurus cazaui, publicado em Ameghiniana 28(3-4):333-346. Salgado e Bonaparte descreveram o holótipo MACN-N 15, coletado em 1984 por Guillermo Rougier sob direção de Bonaparte. O estudo posicionou a espécie dentro de Dicraeosauridae, com espinhos neurais bifurcados excepcionalmente longos como autapomorfia principal. A comparação com Dicraeosaurus hansemanni do Jurássico da África revelou que Amargasaurus é mais derivado, com espinhos pré-sacrais ainda mais alongados e bifurcados.

Reconstituição esquelética do holótipo MACN-N 15 por Gunnar Bivens (2024), com ossos conhecidos em branco, mostrando comprimento total estimado de 13,34 m.

Reconstituição esquelética do holótipo MACN-N 15 por Gunnar Bivens (2024), com ossos conhecidos em branco, mostrando comprimento total estimado de 13,34 m.

Fotografias e reconstruções das vértebras cervicais de Amargasaurus cazaui, publicadas em Acta Palaeontologica Polonica (2007), mostrando os espinhos neurais duplos e as cavidades pneumáticas internas.

Fotografias e reconstruções das vértebras cervicais de Amargasaurus cazaui, publicadas em Acta Palaeontologica Polonica (2007), mostrando os espinhos neurais duplos e as cavidades pneumáticas internas.

1992

Cranial osteology of Amargasaurus cazaui Salgado and Bonaparte (Sauropoda, Dicraeosauridae) from the Neocomian of Patagonia

Salgado, L. e Calvo, J.O. · Ameghiniana

Publicado em Ameghiniana 29(4):337-346, este estudo aprofundou a análise do crânio parcial de Amargasaurus, descrevendo as regiões temporal e basicraniana do holótipo MACN-N 15. Salgado e Calvo detalharam os processos basipterigóideos inusualmente longos e as proporções cranianas que diferenciam Amargasaurus de outros dicraeossaurídeos. O trabalho estabeleceu a base para estudos subsequentes sobre a postura da cabeça e a alimentação do animal.

Diagrama de seção transversal das vértebras cervicais de Amargasaurus, mostrando as cavidades pneumáticas internas e a anatomia dos espinhos, publicado em Acta Palaeontologica Polonica (2007).

Diagrama de seção transversal das vértebras cervicais de Amargasaurus, mostrando as cavidades pneumáticas internas e a anatomia dos espinhos, publicado em Acta Palaeontologica Polonica (2007).

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui em museu, exibindo a coluna vertebral articulada e os espinhos neurais duplos que definem a espécie.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui em museu, exibindo a coluna vertebral articulada e os espinhos neurais duplos que definem a espécie.

1997

Neural spine elongation in dinosaurs: sailbacks or buffalo-backs?

Bailey, J.B. · Journal of Paleontology

Este paper seminal propôs que os espinhos neurais elongados de dinossauros como Amargasaurus não sustentariam uma vela de pele fina (como em Dimetrodon), mas sim uma estrutura de tecido mole mais densa, semelhante à giba de bisões modernos. Bailey apresentou análise biomecânica e comparações com ungulados atuais, argumentando que a giba seria mais funcional para termorregulação e reserva energética. A hipótese alternativa à vela de pele influenciou décadas de debate sobre a função dos espinhos de Amargasaurus.

Comparação de tamanho entre os três dicraeossaurídeos principais: Amargasaurus (esq.), Dicraeosaurus (centro) e Brachytrachelopan (dir.), ilustração de Nobu Tamura. Amargasaurus possui os espinhos cervicais mais longos do grupo.

Comparação de tamanho entre os três dicraeossaurídeos principais: Amargasaurus (esq.), Dicraeosaurus (centro) e Brachytrachelopan (dir.), ilustração de Nobu Tamura. Amargasaurus possui os espinhos cervicais mais longos do grupo.

Variação de velas de espinhos neurais em diferentes clados de Dinosauria, incluindo Amargasaurus (canto superior direito). O painel compara a morfologia das estruturas em Acrocanthosaurus, Amargasaurus, Spinosaurus, Limaysaurus, Ichthyovenator e Ouranosaurus.

Variação de velas de espinhos neurais em diferentes clados de Dinosauria, incluindo Amargasaurus (canto superior direito). O painel compara a morfologia das estruturas em Acrocanthosaurus, Amargasaurus, Spinosaurus, Limaysaurus, Ichthyovenator e Ouranosaurus.

2007

Pneumaticity and soft-tissue reconstructions in the neck of diplodocid and dicraeosaurid sauropods

Schwarz, D., Frey, E. e Meyer, C.A. · Acta Palaeontologica Polonica

Publicado em Acta Palaeontologica Polonica 52(1):167-188, este estudo reconstruiu o sistema de tecidos moles axiais do pescoço de Amargasaurus e outros diplodocoides usando morfologia comparativa com crocodilos e aves. Os autores determinaram que a distribuição de estruturas pneumáticas externas é semelhante entre diplodocídeos e dicraeossaurídeos. A análise identificou divertículos pneumáticos supravertebrais e um sistema elaborado de ligamentos que conectavam os espinhos cervicais, apoiando a hipótese de uma estrutura tipo vela.

Reconstituição artística de Amargasaurus cazaui por Nobu Tamura (2008), mostrando os espinhos duplos do pescoço e dorso. Na época, representava a interpretação canônica dos espinhos como estruturas independentes.

Reconstituição artística de Amargasaurus cazaui por Nobu Tamura (2008), mostrando os espinhos duplos do pescoço e dorso. Na época, representava a interpretação canônica dos espinhos como estruturas independentes.

Reconstituição de Amargasaurus cazaui em técnica mista (marcadores e giz líquido sobre pergaminho) por Pedro Salas (2014), retratando o animal em postura de alimentação ao nível do solo.

Reconstituição de Amargasaurus cazaui em técnica mista (marcadores e giz líquido sobre pergaminho) por Pedro Salas (2014), retratando o animal em postura de alimentação ao nível do solo.

2007

The sauropod diversity of the La Amarga Formation (Barremian), Neuquén (Argentina)

Apesteguía, S. · Gondwana Research

Publicado em Gondwana Research 12:533-546, este trabalho inventariou a surpreendente diversidade de saurópodes da Formação La Amarga. Apesteguía identificou ossos isolados de dicraeossaurídeos (incluindo Amargasaurus), rebbachissaurídeos (Zapalasaurus), titanossauros basais e novos materiais que permitiram reconhecer ainda mais clados. A coexistência de múltiplos saurópodes sugere partição de nicho alimentar: diferentes alturas de pastejo reduziam a competição entre as espécies.

Fóssil de Amargasaurus cazaui no Museo Paleontológico Egidio Feruglio (MEF) em Trelew, Argentina, um dos principais centros de pesquisa sobre dinossauros da Patagônia.

Fóssil de Amargasaurus cazaui no Museo Paleontológico Egidio Feruglio (MEF) em Trelew, Argentina, um dos principais centros de pesquisa sobre dinossauros da Patagônia.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui em exposição no Museo Paleontológico Egidio Feruglio (MEF), Trelew, Argentina, mostrando o impressionante perfil dos espinhos cervicais e dorsais.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui em exposição no Museo Paleontológico Egidio Feruglio (MEF), Trelew, Argentina, mostrando o impressionante perfil dos espinhos cervicais e dorsais.

2011

A phylogenetic analysis of Diplodocoidea (Saurischia: Sauropoda)

Whitlock, J.A. · Zoological Journal of the Linnean Society

Publicado no Zoological Journal of the Linnean Society 161(4):872-915, este estudo forneceu uma das análises filogenéticas mais abrangentes de Diplodocoidea, incluindo Amargasaurus cazaui. Whitlock recuperou Suuwassea como dicraeossaurídeo basal (único membro laurassiano do grupo) e identificou dois clados distintos de rebbachissaurídeos. O trabalho estabeleceu relações importantes entre dicraeossaurídeos sul-americanos e africanos, fornecendo contexto biogeográfico para a origem e dispersão do grupo ao qual Amargasaurus pertence.

Cladograma de neossaurópodes mostrando as relações filogenéticas de titanossauros e grupos próximos, incluindo Diplodocoidea. Publicado originalmente em PLoS ONE 6(2):e16663 (2011).

Cladograma de neossaurópodes mostrando as relações filogenéticas de titanossauros e grupos próximos, incluindo Diplodocoidea. Publicado originalmente em PLoS ONE 6(2):e16663 (2011).

Diagrama de escala mostrando os membros mais completos de Dicraeosauridae em comparação com silhueta humana, ilustrando o tamanho relativo de Amargasaurus entre seus parentes.

Diagrama de escala mostrando os membros mais completos de Dicraeosauridae em comparação com silhueta humana, ilustrando o tamanho relativo de Amargasaurus entre seus parentes.

2019

A new long-spined dinosaur from Patagonia sheds light on sauropod defense system

Gallina, P.A., Apesteguía, S., Canale, J.I. e Haluza, A. · Scientific Reports

Publicado em Scientific Reports 9:1392, este paper descreveu Bajadasaurus pronuspinax, dicraeossaurídeo com espinhos cervicais curvados anteriormente. A análise filogenética recuperou Bajadasaurus como grupo-irmão de um clado incluindo Amargasaurus, Brachytrachelopan e Dicraeosaurus. A persistência de espinhos extremamente longos por 15 milhões de anos em dicraeossaurídeos levou os autores a propor que tais estruturas funcionavam como defesa passiva contra predadores, fornecendo contexto evolutivo crucial para interpretar os espinhos de Amargasaurus.

Interpretação artística de dois Amargasaurus cazaui em comportamento de exibição, por Fred Wierum (2022). A versão revisada mostra vela simples em vez de dupla, refletindo os consensos científicos mais recentes.

Interpretação artística de dois Amargasaurus cazaui em comportamento de exibição, por Fred Wierum (2022). A versão revisada mostra vela simples em vez de dupla, refletindo os consensos científicos mais recentes.

Reconstituição científica de Amargasaurus cazaui por Nobu Tamura (2016), baseada nas proporções de Gregory S. Paul. Mostra o animal em perfil lateral completo, com os espinhos duplos característicos e o pescoço comparativamente curto para um saurópode.

Reconstituição científica de Amargasaurus cazaui por Nobu Tamura (2016), baseada nas proporções de Gregory S. Paul. Mostra o animal em perfil lateral completo, com os espinhos duplos característicos e o pescoço comparativamente curto para um saurópode.

2014

Braincase, neuroanatomy, and neck posture of Amargasaurus cazaui (Sauropoda, Dicraeosauridae) and its implications for understanding head posture in sauropods

Carabajal, A.P., Carballido, J.L. e Currie, P.J. · Journal of Vertebrate Paleontology

Publicado em Journal of Vertebrate Paleontology 34(4):870-882, este estudo aplicou tomografia computadorizada ao neurocrânio de Amargasaurus. A reconstrução 3D do endocrânio e do ouvido interno permitiu determinar que, quando o canal semicircular lateral é posicionado horizontalmente, o côndilo occipital aponta póstero-ventralmente. Isso indica que a cabeça era mantida com o focinho voltado para baixo, compatível com alimentação de vegetação rasteira a média altura, com o focinho habitual a 80 cm do solo e alcance máximo de 2,7 m.

Reconstituição digital de Amargasaurus cazaui por Mario Lanzas (2021), mostrando postura de alimentação baixa compatível com os dados do endocrânio publicados por Carabajal et al. (2014).

Reconstituição digital de Amargasaurus cazaui por Mario Lanzas (2021), mostrando postura de alimentação baixa compatível com os dados do endocrânio publicados por Carabajal et al. (2014).

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Museu Nacional de Praga, República Tcheca, mostrando a postura reconstituída da cabeça e do pescoço. Fotografia de Jan Helebrant (domínio público).

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Museu Nacional de Praga, República Tcheca, mostrando a postura reconstituída da cabeça e do pescoço. Fotografia de Jan Helebrant (domínio público).

2021

Paleohistology of two dicraeosaurid dinosaurs (Sauropoda; Diplodocoidea) from La Amarga Formation (Barremian–Aptian, Lower Cretaceous), Neuquén Basin, Argentina: Paleobiological implications

Windholz, G.J. e Cerda, I.A. · Cretaceous Research

Publicado em Cretaceous Research 128:104965, este estudo examinou a microestrutura óssea do holótipo de Amargasaurus cazaui. A análise histológica revelou que o indivíduo estava no estágio de adulto jovem, com pelo menos 10 anos de idade. O osso cortical mostrava tecido fibrolamellar altamente vascularizado interrompido por marcas cíclicas de crescimento (LAGs), indicando crescimento rápido com sazonalidade. A separação clara entre epífises ossificadas e diáfises confirmou que o animal não havia atingido o tamanho adulto máximo.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Melbourne Museum, Austrália. Réplica do holótipo MACN-N 15, que foi o sujeito dos estudos histológicos de Windholz e Cerda (2021).

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Melbourne Museum, Austrália. Réplica do holótipo MACN-N 15, que foi o sujeito dos estudos histológicos de Windholz e Cerda (2021).

Fotomicrografia de histologia óssea compacta mostrando ósteons, o canal de Havers e lamelas ao microscópio óptico. O estudo de paleohistologia de dicraeossaurídeos analisa seções transversais de ossos longos de Amargasaurus e Dicraeosaurus para determinar taxas de crescimento e estratégias de vida desses saurópodes.

Fotomicrografia de histologia óssea compacta mostrando ósteons, o canal de Havers e lamelas ao microscópio óptico. O estudo de paleohistologia de dicraeossaurídeos analisa seções transversais de ossos longos de Amargasaurus e Dicraeosaurus para determinar taxas de crescimento e estratégias de vida desses saurópodes.

2022

Osteohistology of the hyperelongate hemispinous processes of Amargasaurus cazaui (Dinosauria: Sauropoda): Implications for soft tissue reconstruction and functional significance

Cerda, I.A., Novas, F.E., Carballido, J.L. e Salgado, L. · Journal of Anatomy

Publicado em Journal of Anatomy 240(6):1005-1019, este estudo examinou em detalhe a microestrutura óssea dos espinhos neurais cervicais e dorsais de Amargasaurus. O osso cortical é formado por fibrolamellar altamente vascularizado com marcas cíclicas de crescimento. A ausência de evidências para uma bainha de queratina, combinada com fibras de Sharpey oblíquas indicando ligamentos interspinhosos robustos, sustenta fortemente a hipótese de uma vela de pele cobrindo as estruturas. As fibras de Sharpey sugerem que espinhos sucessivos estavam conectados por um sistema de ligamentos.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui em Coquimbo, Chile (2022). A vela de pele única conectando os espinhos, apoiada pelos dados histológicos de Cerda et al. (2022), é representada em montes científicos modernos.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui em Coquimbo, Chile (2022). A vela de pele única conectando os espinhos, apoiada pelos dados histológicos de Cerda et al. (2022), é representada em montes científicos modernos.

Vista traseira do monte esquelético de Amargasaurus cazaui, por Kumiko (2015). O ângulo posterior evidencia a posição paralela das duas fileiras de espinhos hemineurais, cujas estruturas histológicas foram investigadas por Cerda et al. (2022).

Vista traseira do monte esquelético de Amargasaurus cazaui, por Kumiko (2015). O ângulo posterior evidencia a posição paralela das duas fileiras de espinhos hemineurais, cujas estruturas histológicas foram investigadas por Cerda et al. (2022).

2021

New Dicraeosauridae (Sauropoda, Diplodocoidea) remains from the La Amarga Formation (Barremian–Aptian, Lower Cretaceous), Neuquén Basin, Patagonia, Argentina

Windholz, G.J., Baiano, M.A., Bellardini, F. e Garrido, A.C. · Cretaceous Research

Publicado em Cretaceous Research 117:104629, este paper reportou novos materiais de dicraeossaurídeos coletados na Formação La Amarga, a mesma unidade que produziu Amargasaurus cazaui. As duas vértebras dorsais anteriores (MOZ-Pv 6126-1 e MOZ-Pv 6126-2) não pertencem a nenhuma espécie descrita, indicando maior diversidade de dicraeossaurídeos na bacia de Neuquén do que previamente reconhecido. A análise filogenética reafirmou as relações de Amargasaurus dentro de Dicraeosauridae.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui, fotografado por Aleposta (2009). A disposição articulada das vértebras com espinhos neurais duplos ilustra a morfologia estudada nos novos restos de dicraeossaurídeos da Formação La Amarga.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui, fotografado por Aleposta (2009). A disposição articulada das vértebras com espinhos neurais duplos ilustra a morfologia estudada nos novos restos de dicraeossaurídeos da Formação La Amarga.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Museo di Storia Naturale dell'Università di Pisa, Itália (2010). O material de dicraeossaurídeos da Formação La Amarga descrito por Windholz et al. (2021) compara-se com o holótipo MACN-N 15.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Museo di Storia Naturale dell'Università di Pisa, Itália (2010). O material de dicraeossaurídeos da Formação La Amarga descrito por Windholz et al. (2021) compara-se com o holótipo MACN-N 15.

2015

A specimen-level phylogenetic analysis and taxonomic revision of Diplodocidae (Dinosauria, Sauropoda)

Tschopp, E., Mateus, O. e Benson, R.B.J. · PeerJ

Publicado em PeerJ 3:e857, este é um dos estudos filogenéticos mais abrangentes de diplodocoides. Amargasaurus cazaui (MACN-N 15) foi incluído como representante de Dicraeosauridae, grupo-irmão de Diplodocidae. A análise confirmou que Diplodocidae forma grupo-irmão consistente com Dicraeosauridae, juntos formando Flagellicaudata. O paper também reinstaurou Brontosaurus como gênero válido, demonstrando o poder das análises em nível de espécime para resolver relações dentro de Diplodocoidea.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Melbourne Museum (2008), vista lateral em ângulo baixo. A silhueta do pescoço com espinhos duplos evidencia a autapomorfia mais marcante da espécie dentro de Dicraeosauridae.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Melbourne Museum (2008), vista lateral em ângulo baixo. A silhueta do pescoço com espinhos duplos evidencia a autapomorfia mais marcante da espécie dentro de Dicraeosauridae.

Exposição de dinossauros no Museo di Storia Naturale dell'Università di Pisa, Itália, incluindo Amargasaurus cazaui. A diversidade de formas exibidas ilustra a variação morfológica entre saurópodes do Cretáceo.

Exposição de dinossauros no Museo di Storia Naturale dell'Università di Pisa, Itália, incluindo Amargasaurus cazaui. A diversidade de formas exibidas ilustra a variação morfológica entre saurópodes do Cretáceo.

2026

The occiput of Amargasaurus (Sauropoda, Dicraeosauridae): Reconstruction of the craniocervical muscular insertions with comments on feeding strategy

Militello, M. et al. · Journal of Anatomy

Publicado em Journal of Anatomy 248(2):284-306, este estudo reconstruiu os músculos craniocervicais de Amargasaurus utilizando o EPB (método da armação filogenética extante), comparando com a anatomia de arcossauros vivos. Os resultados indicam que as inserções musculares no occipital são compatíveis com uma estratégia de alimentação a meia altura, confirmando os dados neuroanatômicos de Carabajal et al. (2014). O estudo fornece a reconstituição muscular mais completa disponível para um dicraeossaurídeo.

Exposição de dinossauros no Museo di Storia Naturale dell'Università di Pisa, incluindo Amargasaurus. O contexto museológico italiano reflete a ampla distribuição internacional de réplicas de Amargasaurus cazaui.

Exposição de dinossauros no Museo di Storia Naturale dell'Università di Pisa, incluindo Amargasaurus. O contexto museológico italiano reflete a ampla distribuição internacional de réplicas de Amargasaurus cazaui.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Museo Municipal de Estepona, Málaga, Espanha. A exibição junto a Carnotaurus ilustra a fauna do Cretáceo sul-americano representada em museus europeus.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Museo Municipal de Estepona, Málaga, Espanha. A exibição junto a Carnotaurus ilustra a fauna do Cretáceo sul-americano representada em museus europeus.

1997

Evolution of titanosaurid sauropods. I: Phylogenetic analysis based on the postcranial evidence

Salgado, L., Coria, R.A. e Calvo, J.O. · Ameghiniana

Publicado em Ameghiniana 34(1):3-32, este trabalho realizou análise filogenética de titanossauros e grupos relacionados, usando Amargasaurus cazaui como membro representativo de Dicraeosauridae e como ponto de referência para calibrar as relações de saurópodes derivados. O estudo contribuiu para o entendimento das relações entre diplodocoides e titanossauros, dois dos principais grupos de saurópodes do Cretáceo, e forneceu contexto fundamental para interpretar a posição filogenética de Amargasaurus dentro de Sauropoda.

Comparação de tamanho dos membros mais completos da família Dicraeosauridae, incluindo Amargasaurus cazaui. A análise filogenética de Salgado & Bonaparte discute as relações evolutivas dos saurópodes titanossaurídeos e a posição dos dicraeossaurídeos na árvore dos Diplodocoidea.

Comparação de tamanho dos membros mais completos da família Dicraeosauridae, incluindo Amargasaurus cazaui. A análise filogenética de Salgado & Bonaparte discute as relações evolutivas dos saurópodes titanossaurídeos e a posição dos dicraeossaurídeos na árvore dos Diplodocoidea.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui ao lado de Carnotaurus sastrei no Museo di Storia Naturale dell'Università di Pisa, Itália. A comparação dos dois saurópodes sul-americanos ilustra a diversidade de formas no Cretáceo da Patagônia.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui ao lado de Carnotaurus sastrei no Museo di Storia Naturale dell'Università di Pisa, Itália. A comparação dos dois saurópodes sul-americanos ilustra a diversidade de formas no Cretáceo da Patagônia.

2019

A new dicraeosaurid sauropod from the Lower Cretaceous (Mulichinco Formation, Valanginian, Neuquén Basin) of Argentina

Carballido, J.L., Garrido, A.C., Windholz, G.J. e Apesteguía, S. · Cretaceous Research

Publicado em Cretaceous Research 93:33-48, este trabalho descreveu um novo dicraeossaurídeo da Bacia de Neuquén, mais antigo que Amargasaurus (Valanginiano vs. Barremiano-Aptiano). A análise filogenética reposicionou as relações dentro de Dicraeosauridae e forneceu contexto evolutivo para a origem dos espinhos cervicais extremamente longos de Amargasaurus. O estudo indica que espinhos neurais elongados evoluíram progressivamente dentro do clado, com Amargasaurus representando o ponto de máxima especialização.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Melbourne Museum (2005). A espécie representa o ponto de máxima especialização dos espinhos neurais dentro de Dicraeosauridae, grupo que inclui o novo táxon descrito por Carballido et al. (2019).

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Melbourne Museum (2005). A espécie representa o ponto de máxima especialização dos espinhos neurais dentro de Dicraeosauridae, grupo que inclui o novo táxon descrito por Carballido et al. (2019).

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Museum of Victoria, Melbourne (2007). A comparação com novos dicraeossaurídeos mais antigos, como o descrito por Carballido et al. (2019), revela a trajetória evolutiva dos espinhos neurais no clado.

Monte esquelético de Amargasaurus cazaui no Museum of Victoria, Melbourne (2007). A comparação com novos dicraeossaurídeos mais antigos, como o descrito por Carballido et al. (2019), revela a trajetória evolutiva dos espinhos neurais no clado.

MACN-N 15 (Holótipo) — Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia, Buenos Aires, Argentina

Gastón Cuello, CC BY-SA 4.0 — Monte esquelético no MEF, Trelew

MACN-N 15 (Holótipo)

Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia, Buenos Aires, Argentina

Completude: ~75%
Encontrado em: 1984
Por: Guillermo Rougier (expedição liderada por José Bonaparte)

O único espécime conhecido de Amargasaurus cazaui. Inclui crânio parcial (região temporal e neurocrânio), 13 vértebras cervicais, 9 dorsais, 5 sacrais, várias caudais articuladas, costelas, escápula, coracóide, ílio parcial e fragmentos dos membros. É um dos esqueletos de saurópode do Cretáceo Inferior mais completos da América do Sul.

Monte Esquelético (Réplica MEF) — Museo Paleontológico Egidio Feruglio, Trelew, Chubut, Argentina

Gastón Cuello, CC BY-SA 3.0 — Espécime no MEF, Trelew

Monte Esquelético (Réplica MEF)

Museo Paleontológico Egidio Feruglio, Trelew, Chubut, Argentina

Completude: Réplica completa
Encontrado em: 1984
Por: Expedição Bonaparte / Rougier

Réplica em escala real do holótipo MACN-N 15, montada em postura dinâmica para exibição pública. O MEF é um dos principais museus de paleontologia da Patagônia e centro ativo de pesquisa sobre dinossauros da Formação La Amarga e formações adjacentes.

Monte Esquelético (Melbourne Museum) — Melbourne Museum, Melbourne, Austrália

Casliber, Domínio Público — Monte no Melbourne Museum

Monte Esquelético (Melbourne Museum)

Melbourne Museum, Melbourne, Austrália

Completude: Réplica completa
Encontrado em: 1984
Por: Expedição Bonaparte / Rougier

Réplica do holótipo MACN-N 15 montada no saguão do Melbourne Museum desde 2000. Um dos primeiros montes de réplica de Amargasaurus fora da Argentina, contribuindo para popularizar o animal entre o público australiano e internacional.

O Amargasaurus cazaui nunca conquistou o mesmo nível de fama que Tyrannosaurus ou Triceratops na cultura popular, mas sua silhueta inconfundível garante aparições marcantes em jogos e séries animadas. Na animação infantil Dinosaur Train (PBS, 2010), ganhou vida como Martin, um saurópode gentil com vela de espinhos, introduzindo a espécie para uma geração de crianças. No universo dos jogos, o Amargasaurus aparece em Dinosaur King (Sega, 2007), onde os espinhos eram representados como chifres queratinizados independentes, interpretação que os estudos histológicos de 2022 tornaram obsoleta. Em Jurassic World Evolution 2 (Frontier, 2021), recebeu uma das representações mais precisas em mídia interativa, com tamanho e comportamento condizentes com os dados científicos. O animal também aparece no jogo mobile Jurassic World: The Game e na série de live-action Dino Dan: Trek's Adventures. Apesar de não ter sido incluído nos filmes principais da franquia Jurassic Park ou Jurassic World, a popularidade crescente do Amargasaurus em fóruns de paleontologia e redes sociais dedicadas a dinossauros indica que seu reconhecimento público está em ascensão contínua.

Animatrônico do T-rex da franquia Jurassic Park com o Jeep característico da série

Animatrônico em tamanho real do T-rex da franquia Jurassic Park, com o Jeep vermelho icônico da série — Amaury Laporte · CC BY 2.0

2007 🎨 Dinosaur King — Seizô Watanabe Wikipedia →
2010 🎨 Dinosaur Train — Craig Bartlett Wikipedia →
2013 🎥 Dino Dan: Trek's Adventures — J.J. Johnson Wikipedia →
2015 🎬 Jurassic World: The Game — Ludia Inc. Wikipedia →
2021 🎬 Jurassic World Evolution 2 — Frontier Developments Wikipedia →
Dinosauria
Saurischia
Sauropodomorpha
Sauropoda
Diplodocoidea
Dicraeosauridae
Primeiro fóssil
1984
Descobridor
Guillermo Rougier
Descrição formal
1991
Descrito por
Leonardo Salgado e José Bonaparte
Formação
La Amarga Formation
Região
Neuquén, Patagônia
País
Argentina
📄 Artigo de descrição original

Curiosidade

Os espinhos cervicais de Amargasaurus eram os mais longos já registrados em qualquer saurópode: o oitavo vértebra cervical carregava espinhos de até 60 cm de altura. Se conectados por uma vela de pele (como sugere a ciência atual), essa estrutura seria maior que um escudo medieval e provavelmente mudava de cor ou enrubescia quando o animal estava agitado.